O dia que a metodologia ativa me fez surfar

Uma coisa me relaxa imensamente, assistir programas de canais de surf. Aqueles com uma trilha sonora incrível, paisagens paradisíacas e uma figura em cima de uma prancha deslizando sobre as ondas de forma despretensiosa e livre. Livre, cada vez mais entendo essa palavra…

Assisto me imaginando no lugar da surfista, tento entender o que ela deve sentir diante daquela poderosa imensidão, sabendo que em algum momento vai cair, vai ser engolida pelo mar, mas quem liga? Os segundos sobre o oceano devem ser impagáveis. Todo meu sentimento era assim, cheio de utopia, afinal sou extremamente destrambelhada, caio apenas ao caminhar sem nenhum obstáculo. Imagina se vou me atrever a subir numa prancha? Impossível.

Acontece que as oportunidades surgem do nada, uma aula de surf arrebentou na minha frente e eu resolvi dizer SIM. E foi aí que a metodologia ativa do genial professor Sérgio Rocha fez o milagre acontecer. Eu, consciente do meu desmantelo, soltei frases típicas de pessoas inseguras em alguma coisa, tipo: “Eu não vou conseguir, mas o que vale é a diversão, né?” Sérgio não deu ouvidos, fez uma sessão de alongamento de frente para o mar, que tocava a ponta dos meus pés de leve fazendo com que eu o imaginasse sussurrando: “Chega aí, que vou te dar uns belos caldos! HAHAHA…”

Sérgio surfista experiente, ensinou os movimentos que devemos fazer em cima da prancha ainda na areia, deu uma analisada e poucos minutos depois já disse: “Vamos surfar!”. Já?! Medo! A autonomia é minha? Não seria melhor mais teoria e treino? Não seria mais seguro se a gente ensaiasse mais na areia? Aquela velha hesitação causada por anos e anos de submissão ao velho método nada democrático de ensino: concentração no professor, teoria infinita, algumas avaliações e você estará pronto para a vida. SÓ QUE NÃO.

Pedi licença a Iemanjá e fui. Coração acelerado, em cima de uma long board, remando desesperadamente, em círculos. Sérgio pediu calma. Tentamos na água por alguns minutos o movimento inicial treinado na areia. Caí. Não consegui, mas continuei tentando. Então Sérgio me colocou em posição: “Você vai remar, quando eu der sinal, você levanta”.  E me empurrou numa onda. Eu caí, não levantei quando ele deu o sinal. Ele repetiu a técnica. Vacilei, caí novamente. Ele repetiu a técnica, só que dessa vez eu me concentrei na voz dele e exatamente quando ele deu o sinal eu levantei e não caí.

Eu surfei e finalmente senti o mesmo que a surfista do canal do esporte diante daquela poderosa imensidão, sabendo que em algum momento iria cair, seria engolida pelo mar, mas não liguei. Os segundos sobre o oceano foram impagáveis. Um dos momentos mais indescritíveis da minha vida. Foi lindo, foi pleno por três vezes até a aula acabar. Foi Sérgio, que não perdeu tempo com “mimimi” e foi direto para a prática, sem levar em consideração o quanto me julguei incapaz, afinal ele sabe do que é capaz, do que pode fazer por seus alunos, isso é o suficiente.

Somos todos aptos para vencer aos sermos desafiados pela vida e a educação tem um papel fundamental em despertar essa consciência em nós. Talvez até inconscientemente Sérgio fez o verdadeiro papel do professor, as vezes que eu caí não foram importantes para ele, nem a falta de técnica, nem o medo aparente. Ele tinha a aluna, a prancha e o mar, não precisava de mais nada pra me fazer surfar.

Nós, professores Iniciare temos o aluno e o céu como limite. Não acreditamos em defeitos, imperfeições e inseguranças. Não são elas que importam, elas só nos fazem humanos. Sabemos que a metodologia ativa mostra a cada aluno o que o torna magnífico e não vamos desistir até que essa consciência seja difundida o mais amplamente possível. A metodologia ativa ensina o professor a inspirar e prova para o aluno que ele é capaz de tudo, até de realizar o impossível. Impossível, para quem?

 

Gabriela Patú

Professora e Gestora de Conteúdo em Mídia Digitais

Iniciare Educação Criativa

 

P.S. Sérgio Rocha é professor de surf na Praia de Maracaípe em Pernambuco. Aula obrigatória para quem busca o inesquecível.

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