O que é arte?

A rotina pode ser bem monótona. A inércia é o maior temor dos inquietos e os inquietos são os responsáveis por trazer mais cor aos dias cinzas, tirando do peito a agonia ou até felicidade e transformando em arte.

Em Recife, acontece o Cine-PE, festival de audiovisual que completa 20 anos e segunda (02/05/16) minha rotina monótona foi ofuscada pela inquietude de dois diretores, Tauana Uchôa e Walter Carvalho.

Tauana e o seu curta “Não tem só mandacaru” explora a rica herança poética de São José do Egito e a nova geração apaixonada pela cultura do Pajeú, exaltando grandes gênios como o saudoso Louro, dono de versos muitas vezes de improviso, capazes de enfeitar até os corações mais áridos. No curta, Tonfil, um dos jovens propagadores da poesia do Sertão declama também Zé Bernardino, que ao ser indagado sobre sua origem humilde, proferiu versos dos mais lindos:

“Se nada fiz na jornada
Nada ganhei nem perdi
Nada ignoro do nada
Porque do nada nasci
Se o nada é meu abrigo
Seja o nada meu jazigo
Já que nada me enfada
Eu de nada tenho estudo
Mas sei que o nada faz tudo
E tudo volta pro nada”

Sim Zé. O nada faz tudo, o nada faz qualquer coisa. Emocionei.

Logo depois, o artista plástico recifense Paulo Bruscky, o qual não conhecia (perdão pela ignorância), foi protagonista da própria história no documentário dirigido por Walter Carvalho, permeado por originalidade, não aceitação da autoridade e adivinhem: inquietude.  Questionado sobre o que é arte, Bruscky deu a resposta mais justa: “Não sei e quando souber, deixo de fazer.” Ele poderia ter discorrido sobre estéticas, percepções, expressões que de nada adiantariam para mim, uma espectadora com pífio conhecimento, mas ele escolheu exatamente o oposto, assim como Zé Bernardino, que elevou o nada ao tudo. O “não sei” de Bruscky foi para mim a maior prova do quanto ele sabe, afinal arte não precisa de conhecimento, mas de sentimento. O fascinante Bruscky afirmou ainda que precisou se deseducar para ter inspiração e foi aí que me veio este post.

Enquanto professores Iniciare, nós propomos a DESEDUCAÇÃO. Sugerimos a autonomia que não se ensina nas escolas. Nós buscamos mudar o olhar de cada um a respeito do tanto que o mundo oferece diariamente e que pode nos trazer inspiração. Seja nos versos de sertanejos cheios de sabedoria, como Louro ou nas instalações provocadoras de Bruscky. Queremos que todos se vejam como realmente são: instrumentos de mudança e para melhor, muito melhor. Que nós, esses inquietos professores que sonharam com a Iniciare e que quase nada sabem, tenham capacidade de provar para você o óbvio, a única coisa que temos certeza: arte é cada um. Arte é você.

Gabriela Patú

Professora e Gestora de Conteúdo

Iniciare Educação Criativa

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