Quer um conselho? Fracasse.

Incrível como todo mundo só costuma contar o fim da história. Os tropeços, o constrangimento da reprovação, a sensação de ter falhado, o desalento? Nada! As pessoas querem o final feliz, o auge.

Eu não. Eu quero saber das suas noites em claro. E do quanto você chorou sozinho(a) para entender que nem sempre o que queria tinha que ser seu. Não, não tem. Deixe ir.

Eu quero a dedicação a um projeto onde você derrama todo seu juízo e expectativas e ele simplesmente, não dá certo. Não deu, deixe ir.

Eu procuro os que faliram, que perderam suas economias em sonhos de infância. Que tiveram portas fechadas na cara e sentiram o desespero de códigos de barras que não poderiam ser quitados. Que olharam para seus filhos sem saber como os sustentariam. Que olharam seus pais e sentiram o peso do desgosto.

Eu busco o real, que faz com que a gente lembre que não estamos nem perto de sermos donos de nada, nem da verdade, mas da mentira de que só vale a pena viver se for na felicidade plena. Se for longe do caos.

Acontece que o mundo é caótico. As pessoas são instáveis, a vida é difícil e mesmo em meio a tudo isso, existem aqueles que conseguem chegar lá no final feliz, no auge. E todos, pelo menos a maioria esmagadora têm apenas uma coisa em comum: O FRACASSO. Apenas nele você reconhece quem são seus verdadeiros companheiros e o que você não vai poder repetir pois já deu errado. Só no revés, você vai entender que nosso mundo precisa de alguém que lute pela melhoria de alguma coisa e consequentemente de alguém. Sim, esse pode ser você. Deve ser você.

Aos trancos a gente acaba por entender que só na ruína que se constrói um ser humano capaz de enxergar que há beleza principalmente na derrota, e isso é para poucos. É para os que vão lá e fazem, erram, consertam e tentam outra vez, até fazer sentido, até fazer o bem.

Gabriela Patú

Professora e Gestora de Conteúdo

Iniciare Educação Criativa

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