E se a educação fosse uma paciente terminal?

A ideia de finitude tem permeado minha existência. Aos 34 anos, passei a entender que ela existe e o quanto as pessoas a enxergam com negatividade e quase desespero. Num desses meus estudos sobre o fim de absolutamente tudo, me deparei com uma matéria inspirada no livro “The Top Five Regrets Of The Dying” (Os Cinco Maiores Arrependimentos de Pacientes Terminais), obra da enfermeira Bronnie Ware, que de tantos anos convivendo com pessoas à beira da morte, relatou os maiores remorsos dos que têm a certeza que não serão eternos.

Ao ler o primeiro arrependimento, a analogia com a educação foi inevitável. “Não terem tido a coragem de viver a vida que quiseram, mas sim a vida que os outros esperavam deles”. Sinto a educação assim, como se na teoria tudo fosse espetacular, mas na prática, ela não passa de uma retrógrada com uma visão tradicionalista e nada humanizada. Com foco em criar pessoas para obedecer um sistema caduco, ao invés de questioná-lo, enfrentá-lo, revolucioná-lo. Até os próprios alunos se assustam quando o professor resolve que a autonomia deve ser deles, que eles estão ali para resolver problemas e não se resumirem a acertar gabaritos distantes da vida real. Os alunos estão ali para representar um futuro impetuoso e não um fim repleto de insegurança e dependência.

Você professor, que se identificou como alguém que luta para que a educação não definhe em tanta conformidade, seu lugar é aqui, por isso que o segundo arrependimento me fez pensar em nós, docentes: “Terem trabalhado muito durante a vida” em detrimento do convívio com a família, amigos, lazer…

Vida de professor não é fácil. Sentimos na pele o que você sente e por isso te temos na mais alta conta. Sabemos que sem você, pouco existiria, quase nada. Você precisa de tempo livre para usar da forma que achar melhor. Você tem a prerrogativa de produzir mais num período menor, com mais eficácia e engajamento dos seus alunos. Você é tão importante para a era pós-digital, para a formação de uma geração promissora que você deve ser tratado com todas as honras. Estamos cientes que a educação está definhando, arrependida do quanto poderia ter sido mais e o único que pode salvá-la é você.  Não vai ser fácil, mas fique certo, você não estará só.

Gabriela Patú

Professora e Gestora de Conteúdo

Iniciare Educação Criativa

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