Sala dos Professores ou das Lamentações?

Hora/aula pessimamente remunerada, alunos desinteressados e agressivos, material didático medíocre, coordenação pávida, reitoria tirana. E as dores? Dos pés à cabeça. E os problemas? Multiplicando-se. E de resto? Tudo uma bela de uma porcaria.

Esses eram os assuntos recorrentes das salas dos professores que frequentei. Comecei a absorver a energia e a atmosfera começou a pesar uma tonelada. Desabafando com meu irmão Vasco Patú, não coincidentemente fundador da Iniciare, com toda sua experiência acadêmica aconselhou que eu não ficasse muito tempo por lá. Segui.

Percebi que outros professores também declinaram a “sala das lamentações” optaram pelo pátio, lanchonete e até as próprias salas de aula para se organizarem antes da labuta e foi com eles que passei a trocar ideias. Tais professores tinham relacionamentos muito amistosos com suas turmas e sempre compartilhavam criações de atividades e formas de avaliação que fugiam da mesmice.

Ganhavam o mesmo salário, algumas vezes até menos, tinham problemas e dores, mas na aula o que mais importava eram os alunos, suas opiniões, anseios, dúvidas. Exploravam a capacidade que os discentes tinham de fazer coisas incríveis, realizando efetivamente algum projeto, provavam que eles poderiam fazer qualquer coisa. O resultado? Alunos arrebatados, que ansiavam pela próxima aula.

Não digo que esses professores tinham necessariamente paixão pelo que faziam, mas entre o amargor dos limões e o doce da limonada foram espertos o suficiente para escolherem a limonada.

Gabriela Patú

Professora e Gestora de Mídias

Iniciare Educação Criativa

 

 

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